Teorias sobre a diminuição dos protestos (em Julho, em SP)

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É fato que os protestos não acabaram. Também é fato que os protestos praticamente acabaram, em Julho, em SP. E quero citar algumas teorias, que acredito serem, cada uma, uma pequena parte da explicação, apesar de não explicarem tudo. Entender porque se dividiram/diminuíram talvez seja o primeiro passo para reunir/aumentar novamente.

Diminuição, talvez fim, da repressão policial (em Julho, em SP)

Em cidades como o Rio de Janeiro, a repressão policial parece ser o maior fortalecedor dos protestos. Já em São Paulo, a repressão policial parece ter cessado cedo.

Isso alimenta a teoria de que, em parte, a força dos protestos era pelo simples direito de protestar. Ou seja, eram protestos contra a repressão policial.

Declarações da Presidente Dilma

Apesar de eu ter achado impactante e ter ficado feliz de chegarmos ao ponto de ter uma declaração da presidente (o que indicava que estávamos incomodando), eu e muitos não achamos o bastante apenas mais promessas.

Porém, outros muitos se contentaram com a declaração da presidente, e lá se foi a força de mais um punhado de manifestantes.

Falta de acordo sobre a pauta

Todos querem mudanças, mas não há acordo sobre o que mudar primeiro.

O Movimento Passe Livre começou as manifestações, com um objetivo de simples entendimento, e de impacto direto e claro no bolso da população: diminuição dos 20 centavos da passagem.

Após a repressão policial, todos os movimentos sociais e pessoas individuais foram às ruas juntos, cada um com suas pautas, mas a pauta que estava à frente ainda era a dos 20 centavos.

Derrubados os 20 centavos, a PEC 37 tomou a frente. Já com o número de manifestantes bastante reduzido, não só pela pauta, mas pelos outros motivos citados acima (e talvez algo mais que eu ainda não tenha visto ou entendido).

Derrubada a PEC 37, as pessoas se dividiram nos mais diversos grupos pelas mais diversas pautas. Muita ofensa e pouca mente aberta para sequer conversar dignamente sobre as ideias alheias. Não se considera nem por 1 minuto a opinião do outro, apenas se defende a própria com unhas e dentes.

Junto a isso, estava defendido o direito de protestar, o que provavelmente acalmou mais algumas pessoas.

Falta de acordo sobre os métodos

Além do desacordo sobre a pauta, as pessoas também se dividiram muito sobre os métodos. “Vândalos” e “coxinhas” são nomes muito citados das páginas de organização dos eventos, e que só servem para desunir ainda mais os grupos.

Apesar de esse não parecer um grande problema, visto que nos grandes protestos (contra o aumento do ônibus e contra a PEC 37) a quase totalidade dos manifestantes estavam de acordo sobre fazer o protesto de forma pacífica (independente de ser ou não a melhor forma).

(update) Partidários fervorosos

“Há também de se considerar que no Rio o governo é do PMDB, partido que não tem muitos partidários fervorosos, enquanto em São Paulo temos PT e PSDB, onde temos partidários, e se existe uma pauta que enfraqueça um ou outro, muitas pessoas não se envolvem.” (Paula Carillo)

E, que triste ironia, há indicações de que PT e PSDB estão juntos a algum tempo.

O que ainda ficou

Como dito no início, os protestos não acabaram completamente. Entretanto, na rua, parecem não ter nem 1% da força que já tiveram (pelos motivos acima e provavelmente outros mais).

De início, achei que o que ficou de melhor era o interesse despertado na população pela política. Mas parece que isso se aplica apenas para uma parte da população. Parece que a grande maioria que não se interessava continuou não se interessando. O que houve de benéfico, para mim, foram novos contatos com pessoas interessantes, e uma pequena nova esperança no Brasil. As pessoas que interessavam, e as que passaram a se interessar em política (como eu), agora se conhecem, e debatem sobre o assunto, com alguma esperança no país.

No mês de Agosto, inspirado no Rio de Janeiro, São Paulo teve uma pequena recuperação nos protestos, e se iniciou uma onda de ocupações.

O mais importante, insisto, é uma aparente revolução intelectual que se iniciou. Grandes mudanças levam tempo.

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3 comentários sobre “Teorias sobre a diminuição dos protestos (em Julho, em SP)

  1. Bom texto, aponta bem as possíveis causas de São Paulo ter saído das ruas, infelizmente parece que algumas coisas estão além da vontade de mudança, mas isso não nos impede de tentar!

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